(NG DECOR) - Home Staging & Decoração XXI: Escritório em casa - a nova obsessão da decoração...



Quando as reuniões passaram a ser por vídeo, o fundo de cada um ganhou público. A estante arrumada, o candeeiro bonito, a planta ao lado do ecrã deixaram de ser luxo e passaram a fazer parte da imagem que mostramos aos outros. O passo seguinte foi quase automático: se o canto de trabalho aparece nas fotografias e nas chamadas, também quer ficar bem quando o portátil está fechado. Com o teletrabalho na rotina de mais de um milhão de portugueses, o escritório deixou de ser um pormenor funcional e ganhou estilo próprio. 

Ao mesmo tempo, o gosto geral virou-se para ambientes mais acolhedores. Depois de anos de minimalismo branco e despido, ganharam terreno estilos como o japandi, que cruza a serenidade nórdica com a elegância japonesa em madeira clara, tons de terra e poucos objetos, mas bem escolhidos. E as marcas trouxeram todas estas tendências para o escritório em casa.

As tendências que mandam no escritório

O fio que une quase todas estas colecções é a ideia de integrar o escritório na decoração à volta, em vez de o isolar. Como na maioria das casas o trabalho não tem divisão própria, a tendência é fazê-lo pertencer ao espaço onde vive. Se partilha a sala, a secretária ganha em repetir as madeiras ou as cores que já lá estão; se fica no quarto, uma peça discreta e a condizer com a roupa de cama passa quase despercebida. O canto de trabalho mais conseguido é aquele que parece fazer parte do ambiente, e não uma ilha colada a uma parede.



Madeira, linho e cortiça a mandar

Os materiais naturais e quentes são a base de tudo. A madeira voltou a ser protagonista, da teca ao carvalho, muitas vezes acompanhada por linho, rattan e cortiça. É uma reacção ao minimalismo frio que dominou a última década, com ambientes brancos e vazios a darem lugar a texturas que se tocam e envelhecem bem. O escritório entrou nessa vaga e trocou o plástico e o metal cinzento por superfícies com grão e cor de madeira. A cortiça, material bem português, começa a aparecer em painéis de parede e organizadores, a somar isolamento acústico ao lado decorativo.

Base neutra com um golpe de cor

As paletas neutras com um toque de cor dão o tom. O bege, o castanho, a madeira natural, o cinzento e o preto fazem a base, e depois entra um apontamento forte para dar personalidade, um candeeiro vermelho, uma cadeira colorida, uma caixa que salta à vista. Esta estação, várias colecções trouxeram também tons de rosa e azul para animar o conjunto, num movimento contrário aos anos de neutralidade absoluta. O truque que a decoração repete é concentrar a cor numa ou duas peças, e não espalhá-la por tudo, para o canto continuar calmo mesmo com um elemento vibrante. O verde das plantas conta como cor: uma folhagem generosa ao lado do ecrã faz muitas vezes o trabalho que um objecto colorido faria, e traz vida a uma secretária que de outro modo seria pura funcionalidade.

A secretária que se esconde ao fim do dia

O móvel que desaparece é a grande aposta para casas pequenas. Onde o escritório partilha a divisão com o quarto ou a sala, multiplicam-se as secretárias que fecham, dobram ou se disfarçam de aparador. Quando o dia acaba, baixa-se um tampo ou uma portada e o trabalho some, devolvendo a divisão à vida normal. É a resposta da decoração ao facto de a maioria não ter uma sala só para trabalhar.



O candeeiro passou a peça de destaque

A iluminação como objecto de decoração ganhou protagonismo. O candeeiro de mesa deixou de ser um utensílio para passar a peça de destaque, em metal, com abajur de linho ou de algodão, escolhido tanto pela luz que dá como pela presença que tem. A juntar a isto, ganharam espaço as camadas que dão alma ao canto: livros, cerâmica, plantas, um tapete, molduras. A secretária vazia e clínica saiu de moda.

Tapetes, linho e peças com história

Os têxteis e as peças com história trazem a camada que falta. Um tapete debaixo da secretária, uma cortina de linho ou uma cadeira de segunda mão restaurada dão ao espaço uma profundidade que o mobiliário novo raramente consegue sozinho. A decoração actual valoriza o que não chegou tudo ao mesmo tempo, e o escritório é um bom sítio para cruzar o contemporâneo com uma peça de família ou um achado de feira.

A parede de livros como fundo

A estante é o elemento que a decoração recuperou e que assenta que nem uma luva ao escritório. Com o regresso do livro físico enquanto objeto de casa, a parede de livros atrás da secretária tornou-se um dos fundos mais desejados, meio decoração, meio cenário para as chamadas de vídeo. As lombadas dão cor e textura a uma parede que de outra forma ficaria nua, e mantêm à mão o que se quer ver todos os dias.



As marcas que já vestiram o escritório

Estas tendências não vivem só nas revistas. As marcas de decoração perceberam a oportunidade e traduziram-nas em colecções, umas permanentes, outras sazonais, para todos os orçamentos.

A IKEA é o exemplo mais consolidado. A insígnia sueca mantém há anos uma gama dedicada ao trabalho em casa, fiel à estética escandinava, com fibras naturais, linhas simples e soluções que cabem em pouco espaço. A colecção PS 2026, por exemplo, aposte em peças multifuncionais e portáteis, pensadas para tirar o máximo partido de cada metro quadrado, exactamente o registo que o escritório doméstico pede.

A H&M Home segue a mesma linguagem nórdica, mas com a rotatividade da moda. A marca renova com frequência o mobiliário em madeira e metal, com secretárias compactas e mesas de apoio que servem para trabalhar e para decorar, e fala à vontade de quem gosta de mudar o ambiente sem grande investimento.

A La Redoute levou a ideia do móvel que desaparece a um dos exemplos mais engenhosos, a secretária Mathéo, da linha Les Ingénieux. Em carvalho natural, tem tampo rebatível e suportes para o portátil e os cadernos, e fecha com portadas em palhinha de rattan que a transformam num móvel de decoração quando o trabalho acaba. É a tendência do escritório escondido feita peça.

A Zara Home é a mais recente a entrar, com uma colecção dedicada ao escritório lançada em Agosto. A proposta segue a estética da casa, com materiais naturais e linhas simples, e vai da secretária de madeira aos acessórios de mesa, passando por candeeiros e papelaria, numa paleta neutra pontuada de vermelho. À secretária juntam-se um planificador semanal, uma pasta de arquivo em linho, uma caneta em alumínio e latão e um calendário de parede, enquanto a iluminação se faz de candeeiros de metal, um vermelho com abajur de algodão, outro prateado com abajur de linho. 

Também a Leroy Merlin trabalha o tema, com mobiliário e arrumação de gama acessível para separar a zona de trabalho do resto da casa. Somando estas propostas às de outras cadeias de decoração, percebe-se que o escritório em casa deixou de ser um nicho para se tornar uma prateleira disputada.



O design português também está no jogo

Boa parte deste mobiliário nasce mais perto do que se pensa. Portugal é um dos grandes produtores europeus de mobiliário, com uma tradição enraizada sobretudo no Norte, e não é raro marcas nórdicas e italianas venderem peças que foram, afinal, fabricadas em território nacional.

No design assinado há nomes portugueses a trabalhar precisamente este registo. A Mr. North, sediada no Porto, desenha mesas, cadeiras e secretárias com um toque escandinavo, formas contemporâneas e materiais nobres, e vende em lojas de referência do comércio nacional. No segmento mais acessível, marcas históricas como a Moviflor reinventaram-se pelo comércio electrónico, com produção nacional e uma relação qualidade-preço pensada para o cliente residencial. A ressalva é que muita da produção portuguesa de topo se dirige à exportação e ao segmento de luxo, com casas como a Laskasas ou a TGV Interiores a apostar em projectos de arquitectura e hotelaria. Ainda assim, para quem quer seguir a tendência com raiz nacional, o caminho passa por procurar o fabricante por trás da peça.

Cinco ideias para dar estilo ao teu canto de trabalho

Escolhe um material dominante. Deixa a madeira, ou uma dupla de branco e preto, guiar o conjunto e escolhe o resto em função disso. Um canto com uma linguagem clara parece sempre mais pensado do que uma mistura de estilos. Três secretárias em escalões diferentes: a MICKE da IKEA, em preto-castanho ou branco, ronda os 100€; a LAGKAPTEN da IKEA, na dupla carvalho e branco, fica à volta dos 160€; e a Mathéo da La Redoute, em carvalho, custa cerca de 600€.

Guarde um apontamento de cor para um objecto. Numa base neutra, basta um candeeiro, uma cadeira ou uma caixa colorida para o espaço ganhar vida. A cor concentrada numa peça rende mais do que espalhada por tudo - uma caixa de tecido colorida da IKEA (gama HEMMAFIXARE) sai por 5,99€ o par; uma jarra em vidro colorido da La Redoute anda pelos 25€; e o candeeiro vermelho da coleção da Zara Home dá o toque mais vivo, dentro de uma linha que vai dos 10€ aos 1.000€.

Trate a luz como decoração. Um candeeiro de mesa bonito, em metal ou com abajur de tecido, muda o ambiente ao fim da tarde e é dos gestos mais simples para dar carácter à secretária. Sugestões de candeeiros de mesa a preços distintos: um modelo em cerâmica da IKEA começa nos 12€; o LED VARMBLIXT, da mesma marca, custa 59,99€; e um candeeiro em metal da La Redoute ronda os 83€.

Esconda o que estraga a vista. Cabos, carregadores e papelada tiram graça a qualquer canto. Caixas, tabuleiros e móveis fechados deixam à vista só o que quer mostrar. Formas de tirar a desordem do campo de visão: as caixas com tampa da IKEA (gama KUGGIS) começam em poucos euros; a pasta de arquivo em linho da colecção da Zara Home entra pelos 10€; e, para guardar tudo num móvel fechado, a cómoda com rodas da mesma colecção custa 259€.



Dê vida com plantas, livros e cerâmica. A secretária despida é fria. Um par de objectos escolhidos, uma planta e uma pilha de livros bastam para o canto deixar de parecer um posto de trabalho e passar a parte da casa. Três peças para rematar: um vaso de cerâmica da IKEA sai por poucos euros; uma jarra em cerâmica da La Redoute ronda os 10€; e um vaso decorativo em bambu, da mesma marca, custa cerca de 28€. A planta que lá vai encontra-se por uns euros em qualquer cadeia.

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