(NG DECOR) - Home Staging & Decoração XXI: Home Staging - despertar emoções para valorizar imóveis...
Um dos desafios mais recorrentes no nosso trabalho acontece quando um cliente, após a execução do projecto, sugere alterações motivadas pelo instinto de "corrigir" o que percebe como limitações. É uma reação compreensível — mas quase sempre produz o efeito oposto. O que importa é facilitar a leitura do espaço, não condicioná-la.
Três situações que se repetem com frequência:
- Criar separações onde não existem. A sugestão de colocar biombos ou estantes para "esconder" determinados pontos de vista é comum. Mas adicionar elementos verticais a espaços de dimensão contida fragmenta o espaço, reduz a percepção de amplitude e chama precisamente atenção para aquilo que se quer evitar. É o equivalente a dizer "não olhe para o elefante cor-de-rosa". O comprador olha.
- Reorganizar o mobiliário para uma lógica de uso. Adaptar o layout às tomadas de TV ou aos pontos de luz existentes — que na maior parte das vezes não estão nos locais mais adequados à optimização do espaço — pode transmitir ao comprador a ideia de que a sala tem uma limitação funcional, quando não tem. A disposição que usamos nem sempre é a mais conveniente para quem habita o espaço, mas é a que melhor comunica amplitude, circulação e relação com a luz natural.
- Virar o exterior para dentro. Numa varanda ou terraço, orientar o mobiliário para o exterior comunica usufruto, vista e amplitude. Quando se vira o mobiliário para dentro, ou se coloca cortinados ou um biombo para tapar a vista, a varanda deixa de ser um argumento de venda e passa a ser um ponto negativo
Em cada um destes casos, o impulso instintivo — tapar, esconder, compensar — produz o efeito oposto. O staging bem executado não trabalha os pontos fracos para os melhorar. Trabalhe os pontos fortes para que o olhar nunca chegue aos outros.
Gerir estes desafios com transparência, e ajudar o cliente a perceber o que está realmente em jogo em cada decisão, é parte do trabalho de um bom operador de staging, tanto quanto o olhar criativo.
A gramática do espaço
O erro do staging mal-executado é aplicar a mesma fórmula a contextos diferentes. A linguagem certa é a que honra a alma do espaço e alicia o potencial comprador.
O que distingue staging de decoração
Num projecto de decoração tradicional, desenhamos para um perfil de cliente concreto com gostos e rotinas próprias. O espaço é a expressão de quem o habita.
No staging, desenhamos para uma persona. Somos, nesse sentido, mais próximos, do estratega de uma agência de publicidade do que do decorador — definimos um perfil, optimizamos a leitura do espaço, construímos a narrativa que vende o sonho que o comprador-alvo idealiza.
As decisões de staging, quando bem fundamentadas, raramente se explicam por gosto. Explicam-se por objectivo. O protagonista não deve ser o gosto do cliente nem a assinatura do designer. Deve ser o imóvel — e, em última instância, o comprador.
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