(NG DECOR) - Home Staging & Decoração XXI: Antes e depois: este T2 ganhou uma nova vida sem obras profundas...
Quando surge o desafio de renovar um apartamento intervencionado pela mesma equipa mais de uma década antes, acontecem duas coisas ao mesmo tempo: um sorriso e um sentido de responsabilidade.
O sorriso, porque significa que o trabalho realizado resistiu ao tempo e que, 13 anos depois, os proprietários voltaram a confiar na mesma visão para actualizar o espaço. A responsabilidade, porque o apartamento tem de responder às novas exigências do mercado sem perder a identidade construída ao longo dos anos.
O T2 do condomínio Riviera tinha tudo: piscina, a praia de Carcavelos ali mesmo ao lado, a forte procura internacional e um enorme potencial turístico. O que tinha perdido, ao fim de 13 anos de operação intensa, era o brilho. E no alojamento local, a imagem vem em primeiro lugar.
No turismo, a decisão acontece em segundos. Uma fotografia pode fazer parar o olhar e terminar numa reserva ou passar à frente.
O primeiro diagnóstico
Treze anos depois voltámos a entrar em casa. Uma década de reservas, hóspedes e check-ins tinham deixado marcas. Não de negligência, mas de uso.
O pavimento acusava o tempo, os têxteis as férias vividas e algumas das peças tinham perdido o impacto visual que outrora captavam o olhar e acolhiam os convidados.
O cadeirão de leitura mais pareceria um jornal amarrotado, a zona de refeições uma sala de espera e os quartos… o esqueleto do que um dia tinham sido.
O Riviera precisava de reencontrar a sua identidade.
Havia coisas que não tinham mudado com o tempo: a luz do fim de tarde, a maresia a entrar pelas janelas e a sensação de se chegar a um sítio que é nosso, mesmo que apenas por uns dias. Foi essa sensação que quisemos devolver e reforçar no apartamento Riviera.
No turismo, a percepção de valor influencia directamente as reservas, as avaliações e o preço por noite.
O problema não era estético. Era estratégico.
A solução: uma intervenção cirúrgica
A solução não foi uma remodelação profunda. Foi uma actualização cirúrgica: o tipo de trabalho em que saber o que manter é tão importante como saber o que substituir.
Parte significativa do mobiliário foi reaproveitada. O que mudou foi aquilo que fixa o olhar: têxteis, iluminação, peças-chave, paleta cromática e a narrativa.
O objectivo era fazer uma intervenção praticamente sem obras, mas com um resultado de boutique apartment.
O conceito: Riviera, mar e clube privado – Surf & Racquet
O nome do condomínio deu a pista. Riviera.
A partir daí, construiu-se uma narrativa inspirada na antiga Riviera Portuguesa da Linha do Estoril: elegância descontraída, vida junto ao mar, clubes clássicos, golfe, ténis, férias com charme e história.
O universo existe há décadas nos grandes clubes costeiros privados – da Côte d’Azur, dos Hamptons, de Cascais ao Estoril. É o encontro entre o lado mais livre do oceano e a precisão do jogo. Entre a tábua de surf e a raquete de ténis. Entre conforto e distinção. Entre o atleta e o “gentleman”.
Na sala, o sofá em terracota, o tapete de juta, a iluminação de parede em latão e os quadros com raquetes e bolas vintage criam o ambiente de clube costeiro contemporâneo.
Na zona de refeições, a parede em verde-acinzentado ancora a composição. As cadeiras em madeira natural com assento trançado que fazem lembrar os cabos marítimos, a leveza do candeeiro de papel suspenso e os pratos brancos dispostos como mural de troféus, reforçam a elegância descontraída, mas com personalidade.
Nos quartos, papéis de parede listados, roupa de cama imaculada, mantas com padrão e apliques em latão criam uma ligação subtil ao universo dos clubes desportivos costeiros – ténis, golfe, náutica. O conforto visual que se sente ao deitar.
Mais que decorar, o objectivo foi criar uma experiência: a sensação de estar num boutique apartment de um clube costeiro privado.
Antes e Depois – o que realmente mudou
O apartamento Riviera não precisou de obras para voltar à alta competição. Precisou de critério, conceito e minuciosa execução profissional.
Um projecto que demonstra bem o verdadeiro papel do home staging para alojamento local: alinhar o espaço com o seu mercado, o seu público e com o valor que se pretende comunicar. Criar uma narrativa visual que proporciona uma experiência.
Com budget controlado e aproveitando parte do existente, foi possível transformar um apartamento desgastado num espaço mais fotogénico e mais competitivo nas plataformas de reserva.
No imobiliário, a perceção é valor. E quando a percepção é bem trabalhada, o espaço deixa de competir por preço — e passa a competir como experiência.
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