(NG DECOR) - Home Staging & Decoração XXI: Casa low-tox - como reduzir substâncias tóxicas em casa?

Cada vez se fala mais sobre a tendência do low-tox e sobre os produtos que realmente deve, ou não, ter em casa. A preocupação com os químicos presentes nos objectos do dia a dia tem vindo a crescer, desde os utensílios de cozinha e produtos de limpeza até móveis, têxteis e colchões.

Neste guia vai perceber até que ponto a sua casa pode estar exposta a componentes potencialmente tóxicos e que mudanças simples pode adoptar para transformar o seu espaço num ambiente mais saudável.

O que significa uma casa low-tox?

Uma casa low-tox é um espaço onde procura reduzir ao máximo a exposição a substâncias químicas potencialmente nocivas no dia a dia. 

Não significa eliminar todos os produtos ou viver de forma extrema, mas sim fazer escolhas mais conscientes:

Optar por materiais mais seguros;

Preferir fórmulas simples;

Garantir boa ventilação;

Escolher alternativas menos agressivas para a saúde e para o ambiente.

Passa grande parte do tempo em ambientes interiores, onde o ar pode concentrar substâncias libertadas por produtos e materiais. Mesmo em níveis baixos, a exposição contínua pode ter impacto na saúde ao longo do tempo.

Que produtos domésticos libertam químicos?



Muitos dos produtos que utiliza diariamente podem libertar substâncias invisíveis que afectam a qualidade do ar e a tua saúde a longo prazo.

Entre os principais exemplos estão:

Velas perfumadas;

Ambientadores;

Produtos de limpeza e desinfectantes;

Panelas antiaderentes;

Tapetes, sofás e colchões;

Alguns cosméticos.

Principais tóxicos domésticos

Entre os principais tóxicos domésticos a que podes estar exposto encontram-se:

Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs): libertados por tintas, vernizes, detergentes, sprays e ambientadores. Podem causar irritação ocular e respiratória, dores de cabeça e fadiga.

PFAS (substâncias per e polifluoroalquiladas): estão presentes em panelas antiaderentes, têxteis impermeáveis, carpetes e alguns cosméticos. São persistentes no ambiente e podem afectar o sistema hormonal e imunológico;

Ftalatos: são usados para tornar os plásticos mais flexíveis e em fragrâncias sintéticas, associados a alterações hormonais e problemas reprodutivos;

Formaldeído: encontrado em móveis de aglomerado, MDF, colas e alguns tecidos tratados. Pode provocar irritação respiratória e é classificado como potencial carcinogénio;

Microplásticos: libertados por utensílios de plástico, tábuas de corte e embalagens alimentares, podem ser ingeridos ou inalados e são extremamente perigosos no lar;

Compostos de amónio quaternário: como o cloreto de benzalcónio, presente em desinfectantes e produtos antibacterianos. Estão associados a problemas respiratórios e irritações cutâneas.

Os produtos de limpeza são dos maiores contribuintes para a libertação de VOCs dentro de casa. Não é necessário eliminar tudo de imediato, mas é importante reduzir a exposição sempre que possível.

Químicos perigosos em móveis e materiais de construção



Muitos móveis e materiais de construção continuam a libertar formaldeído e PFAS durante meses e, nalguns casos, anos após serem instalados em sua casa fenómeno conhecido como "off-gassing".

Isto pode comprometer a qualidade do ar interior e provocar:

Irritações nos olhos, nariz e garganta;

Dores de cabeça;

Problemas respiratórios.

Os PFAS, apelidados de “químicos eternos”, acumulam-se no organismo ao longo do tempo.

Como reduzir a exposição?

Para reduzir a exposição, deve:

Optar por madeira maciça;

Preferir móveis usados (já libertaram parte dos compostos);

Evitar aglomerados e MDF com elevado teor de formaldeído;

Garantir ventilação intensiva após pinturas ou renovações;

Escolher produtos com certificação de baixo VOC.

Como melhorar a qualidade do ar interior?



O ar dentro de casa pode estar mais poluído do que o exterior, sobretudo devido à libertação de químicos provenientes de móveis, tintas, produtos de limpeza, sprays perfumados e pesticidas. 

Como passa muitas horas em ambientes fechados, a qualidade do ar influencia:

Saúde respiratória;

Nível de energia;

Qualidade do sono.

Medidas simples para melhorar o ar:

Para melhorar o ar que respira, comece por:

Ventilar diariamente todas as divisões;

Criar circulação natural abrindo janelas e portas;

Utilizar purificadores com filtro HEPA e carvão activo;

Controlar a humidade para evitar mofo.

Durante a limpeza:

Não misture produtos químicos;

Abra janelas ao usar produtos com cheiro intenso;

Prefira fórmulas simples;

Sempre que possível, utiliza soluções básicas como água e sabão, vinagre ou bicarbonato.

Como escolher produtos para uma casa low-tox?

Se quiser realmente uma casa low-tox, fique a saber que nem todos os produtos “naturais” são realmente seguros. Procure certificações reconhecidas na União Europeia e em Portugal.

Selos importantes:

Rótulo Ecológico da União Europeia (EU Ecolabel): identifique os produtos com menor impacto ambiental ao longo do ciclo de vida, incluindo detergentes, tintas, colchões, têxteis e outros produtos domésticos;

REACH: regulamento que controla as substâncias químicas perigosas, garantindo os limites rigorosos de segurança;

Certificação FSC (Forest Stewardship Council): assegure que a madeira usada em móveis e pavimentos provém de florestas geridas de forma responsável;

OEKO-TEX® Standard 100: certifique têxteis, cortinas, roupa de cama e colchões quanto à presença de substâncias nocivas;

Rótulo biocida autorizado: garanta que os produtos desinfetantes vendidos em Portugal estão registados e cumprem os critérios de segurança.

Ao comprar, é importante:

Ler os rótulos com atenção;

Desconfiar de termos vagos como “eco” ou “natural” sem certificação;

Preferir produtos com menos ingredientes.

Para uma casa verdadeiramente low-tox:

Reduza a quantidade de produtos;

Privilegie soluções à base de água;

Comece pelas áreas de maior exposição, como limpeza e água;

Considere um filtro de água para reduzir contaminantes.

Não precisa de mudar tudo de uma vez. Pequenas alterações consistentes fazem a diferença. Está pronto/a para ter uma casa mais saudável?

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